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Perfil “Sou Geração Igualdade”: Hingride Marcelle Leite de Jesus, jogadora de rugby, facilitadora na sua comunidade
Thays Prado, publicado em 06/04/2020
Bilhões de pessoas no mundo estão do lado certo da história, todos os dias. Elas usam a própria voz, posicionam-se e fazem ações – pequenas e grandes – para avançar os direitos das mulheres. Isso é Geração Igualdade.

 

Sou Geração Igualdade porque…

Cresci em uma família chefiada por mulheres, que tomavam as suas próprias decisões, cuidavam de seus filhos e os sustentavam. Todos os homens abandonaram as suas mulheres e filhos. Apesar de isso refletir a cultura machista, também me ofereceu modelos femininos poderosos em casa.

Eu me lembro quando o meu pai morava conosco. Minha mãe não podia aceitar certos trabalhos que ele considerava “de homem”. Quando comecei a jogar rugby, ele disse que eu não deveria porque era algo feito para homens. Isso me fez perceber que uma mulher jogar rugby pode mudar a cabeça das pessoas sobre o que elas podem fazer. Através do rugby eu aprendi a fazer escolhas, a entender no que deveria focar e o que eu deveria deixar para lá, para respeitar os meus limites e para me comunicar melhor.

A importância de espaços seguros para mulheres e meninas

Hoje eu aproveito cada oportunidade que tenho para conversar com a minha mãe e as minhas tias sobre direitos das mulheres, porque elas não tiveram o mesmo tipo de educação que eu tive. Eu também converso com as minhas primas mais novas, porque quero que elas lutem por si mesmas.

Como mulheres, faltam-nos espaços nos quais podemos falar sobre os nossos problemas, fazer perguntas e expressar as nossas opiniões. É o que mais gosto do programa Uma Vitória Leva à Outra – a criação de espaços seguros para meninas.

Eu comecei no programa para continuar a jogar rugby. Mas depois eu me dei conta de quanto era importante ir às sessões semanais e conversar com as outras meninas, com histórias diferentes, sobre os nossos corpos, gênero, raça, sexualidade e violência. Graças ao espaço seguro eu pude compartilhar coisas que antes eu não tinha coragem de contar para ninguém.

Sou negra, pobre e vivo na periferia. Isso não significa que eu não possa alcançar os meus objetivos e realizar os meus sonhos! Eu acabei de completar uma formação para ser facilitadora e trabalhar com meninas mais novas na minha comunidade. Este será mais do que um trabalho, uma fonte de renda para mim e para o meu filho de dois anos. Será uma oportunidade para eu ser um exemplo para outras meninas na comunidade. Elas vão olhar para mim e pensar: se ela conseguiu, eu também consigo.

O poder do esporte
É importante que toda a sociedade se envolva no tema das relações de gênero e lute por igualdade, de maneira que mulheres e meninas possam atingir seus objetivos sem os [constantes] obstáculos e discriminações.
O esporte abre portas para mulheres e meninas. Além dos benefícios físicos e psicológicos, o esporte é uma ferramenta de auto empoderamento e empoderamento de outras mulheres. Por tempo demais fomos mantidas longe das oportunidades ligadas aos esportes. Existe um papel que a mídia pode ter, especialmente a mídia esportiva, de mostrar que qualquer esporte é lugar de mulher.

Três ações para você fazer parte da Geração Igualdade:
• Conversar com pessoas de outras gerações para desafiar estereótipos de gênero
• Criar espaços seguros para mulheres e meninas, onde elas possam falar sobre si
• Usar a mídia social para chamar as pessoas à reflexão sobre a igualdade de gênero e os direitos das meninas e das mulheres

Hingride Marcelle Leite de Jesus tem 20 anos e foi aluna de “Uma Vitória Leva à Outra”, um programa conjunto entre a ONU Mulheres e o Comitê Olímpico Internacional, que oferece sessões semanais de prática esportiva e habilidades para a vida para meninas adolescentes no Brasil. Em fevereiro ela encontrou a jogadora de futebol Marta Vieira da Silva, Embaixadora da Boa-Vontade da ONU Mulheres, e participou no desfile da escola de samba que homenageou a jogadora no Rio de Janeiro, Brasil.

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